sábado, 10 de agosto de 2013

O REGRESSO

Quando iniciamos nossa luta por melhoria de condições de trabalho e dignidade, percebemos ter adentrado  numa verdadeira batalha no Rio de janeiro. Nossa tropa pequena em relação aos vários frontes que deveríamos defender, as baterias inimigas não cessavam fogo e nesse momento que soubemos que haveriam baixas. Nós aceitamos os riscos pois não havia mais como voltar atrás, tínhamos a consciência de que a unica maneira de conseguirmos algum progresso era nos manter unidos, imbuídos de um proposito maior e nos doar o máximo pela causa. sabíamos que nossa força vinha da nossa união e nossa determinação em não fraquejar e por isso o lema: JUNTOS SOMOS FORTES!
O jargão do Ino do Bombeiro: "NEM  UM  PASSO DAREMOS ATRÁS",   nos mostrava que já estávamos comprometidos mesmo antes da luta começar e mesmo contra todas as expectativas nós avançamos.
Entretanto, nossa determinação nos levou ao sacrifício, pois ao ganhar terreno, o inimigo usou sua maior arma: a deturpação maquina administrativa do estado.
Nós podíamos tolerar as perseguições, os processos administrativos, as prisões e detenções disciplinares, as escalas extras, as tentativas de nos desunir e desestruturar dentro dos quarteis, a proibição de expressarmos nossas ideias, a proibição de estacionar o carro nos quarteis por causa da fita vermelha, a proibição de nos reunirmos fraternalmente nos quarteis, a proibição dos cultos nos quarteis, o aumento da carga horaria (com passagem de serviço às 09:30h ), as convocações nos dias de folga para instrução e formatura, a difamação dos nossos nomes, da categoria e até da corporação, o tratamento ríspido e diferenciado que nos era dado, a invasão de privacidade  de nossos emails telefones e outros, as ameaças, a suspensão de nossas Licenças Especiais, as coações, e outros meios sórdidos de opressão; contudo avia algo que não podíamos tolerar: a "Exclusão a Bem da Disciplina".
 coloco entre aspas já que depois todas as transgressões e ilegalidades cometidas pelos que deveriam nos representar, somos nós que devemos ser "disciplinados"?
Essa medida nos foi catastrófica pois não nos afetava somente, mas também aos nossos familiares. sem nossos salários, ficaríamos sem condições de prover nossas afamilias. em resumo, estavam usando nossos entes queridos como refém.
com isso eles tentaram nos fazer recuar, e de fato muitos de nós com justo motivo se apegaram ao medo e abandonaram seus frontes, os poucos de nós que se mantiveram, carregavam o pesar das baixas no semblante e com moral abatido não conseguíam avançar, mas para que o sacrifício dos camaradas não fosse em vão, mantínhamos a duras penas nossa posição conquistada aguardando o dia em que nós também seriamos sacrificados... e nesse momento Deus ouviu nossas preces e o Arcanjo da Justiça pairou sobre nós no campo de batalha, nos protegendo sob suas asas e trazendo de volta os heróis tombados para lutarem do nosso lado novamente! banindo o medo e enchendo nossos corações de alegria e esperança. sejam bem vindos de volta meus amigos, é uma honra lutar ao lado de vocês! encerro com uma frase de meu pai: "Quem faz o bem durante a luz, não precisa temer a escuridão" 

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