segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Ainda Falta Muito

      
Quando ingressamos na nossa amada corporação, fizemos um juramento: "Ao Ingressar no Corpo de Bombeiros Militar do Estado Do Rio de Janeiro, prometo regular minha conduta pelos preceitos da moral, cumprir rigorosamente as ordens das autoridades a que estiver subordinado e dedicar-me inteiramente ao serviço da pátria, ao serviço de bombeiro militar e a segurança da comunidade, mesmo com sacrifício da própria vida." em uma análise mais minuciosa deste nosso juramento perpétuo, verificamos que a honra e a dignidade estão em primeiro lugar já que os conceitos morais vem antes de tudo. 
as perguntas são simples: 
* E quando nosso salario não é o suficiente para que possamos nos dedicar inteira e exclusivamente ao serviço da pátria e ao serviço de bombeiro militar? 
*  E quando cumprir rigorosamente as ordens significa não atender o povo, ou prejudicar um colega desnecessariamente ou ainda trabalhar em funções incompatíveis com nosso juramento? 
* E quando nos sacrificamos com a vida e essas mesmas autoridades a quem estamos subordinados deixam nossas famílias desamparadas? esses familiares também não estão a lista de pessoas da comunidade a quem juramos assegurar e proteger com a própria vida?  
 A mesma autoridade que prende um bombeio que trabalha numa segurança alegando que ele deve ter dedicação exclusiva, mas libera o militar pra trabalhar atividades como combate a dengue PROES e outros, se valendo do fato de que o militar mal remunerado precisa pagar suas contas, nos usando pra tapar os buracos errados do estado. ai nesse caso se pode quebrar o juramento e não mais se dedicar exclusivamente ao serviço? 
   Meus amigos, nossa organização, não é uma vitória, é uma tática. na realidade temos muito trabalho a ser feito e pouco a se comemorar. Considerando a dimensão do que estamos enfrentando, qualquer batalha vencida é digna de comemoração. Os colegas excluídos voltaram, isso é muito bom, contudo estamos deixando para traz muitas baixas;
 Quem vai trazer de volta a mãe do Sgt BM Paulo Nascimento, que possuía frágil saúde e faleceu  ( e sabemos que não foi a única) por parada cardíaca durante o estressante acampamento dos bombeiros na ALERJ, do qual seu filho fazia parte? ou ainda o filho do Sgt BM Túlio abortado por sua esposa durante a ocupação do Quartel Central do CBMERJ e teve como jazigo a latrina do banheiro feminino de praças?  o Cad BM Charles Lima do 3º ano de curso de formação de oficiais diagnosticado inicialmente por TORCICOLO e acabou falecendo por suposta MENINGITE? será que a dor dessa mãe é menor que a dor da esposa do Túlio? Temos centenas de  militares oprimidos nos quartéis, alunos residentes passando fome proibidos de jantar, médico que sai pra salvar a vida de uma criança e regressa preso por evasão do serviço ( o juramento não era pra salvar?), em fim, ainda hoje depois desses anos de luta coisas como essas continuam acontecendo e não vão parar a não ser que a gente lute.
   Encerro endossando as palavras do Secretário de Defesa Civil, Cel BM Sergio Simões, durante a formatura do CFS 2013 na EsBCS: "Os princípios da hierarquia e disciplina são a base estrutural da nossa corporação mas elas não podem ser implementadas  sem algo ainda mais primário e importante; RESPEITO MÚTUO" 
Nós concordamos plenamente com nosso comandante, e aguardamos ansiosamente por isso. 
No dia que o respeito mutuo for devidamente valorizado, o SOS Bombeiros deixará de ser necessário.
  
Abraços à Equipe SOS Região dos Lagos, parabéns pela organização.


Equipe S.O.S. Guadalupe
(Túlio, prometi que não ia esquecer e não esquecemos. fique em paz irmão)     

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